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A incrível história da invenção dos tablets

Lançado em 2010 pela Apple, o iPad se tornou sinônimo de tablet.

Só que esta história começa muito antes. Com Alan Kay, norte-americano, cientista em computação e pesquisador da Xerox.

Kay foi um dos idealizadores do Dynabook, “um computador para crianças de todas as idades”, um modelo que nunca chegou a ser comercializado.

Tudo isso no início da década de 1970!

Mesmo assim, todas as principais características de um tablet já estavam lá: um dispositivo fino, leve, que deveria custar uns 500 dólares e … bateria intercambiável (olha aí! mais moderno que os tablets atuais).

Mais: o conceito previa muitos dos atuais serviços online. E rodaria vídeos, games e música. Incrível. (Vale lembrar que o primeiro computador de mesa só foi comercializado em 1981, pela IBM).

O protótipo do Dynabook pesava aproximadamente 1,8 kg, tinha uma tela LCD preto&branco de 9 polegadas e um teclado integrado.

Desenho feito por Alan Kay em 1972: "Computador pessoal para crianças de todas as idades"
Desenho feito por Alan Kay em 1972: “Computador pessoal para crianças de todas as idades”

Em 2002 Alan Kay participou de um documentário japonês, quando apresentou a um grupo de crianças (fascinadas) o seu Dynabook, através de um protótipo feito de papelão.

Primeiro o design, depois o produto

Claro, o Dynabook acabou não passando da fase de projeto, mas foi através das ideias de Alan Kay que a Apple começou os primeiros estudos do seu tablet, em 1983.

Neste mesmo ano a Apple contratou uma empresa, a Frog, que ficou responsável pelos novos projetos de design. Entre eles, um dispositivo com tela sensível ao toque.

Pela filosofia adotada pela Apple, o design sempre esteve à frente da engenharia. Não por acaso, os computadores da empresa sempre foram compactos e minimalistas, ou seja,  criados em função do usuário, reduzindo ao máximo o tamanho e número de botões.

Nos anos 80 a Apple introduziu a cor branca, que a diferenciava dos feios PCs pretos e cinzas e que acabou virando uma nova linguagem de design de produtos.

Também existia uma forte razão para a Apple criar produtos surpreendentes, desde o seu início: os designers envolvidos na concepção de novos produtos da empresa pouco ou nada sabiam de computadores.

Foi exatamente por esta abordagem que a empresa pode então desenvolver os primeiros estudos, que terminariam na criação dos iPods, iPhones e iPads.

O início, com Jobs

Em 1985, Steve Jobs – a figura da empresa tão conhecida como o símbolo da maça – liderou um projeto que tinha como principal objetivo criar um novo produto, com uma tela de cristal líquido (LCD).

O resultado foi concluído pouco tempo depois: um computador com uma tela 4 x 4 polegadas e um teclado. O conselho de administração da Apple vetou. Muita ousadia para uma época em que reinavam PCs grandalhões, cheios de periféricos.

Foi exatamente nessa época que Jobs perdeu o seu cargo na empresa, num enfrentamento com John Sculley. O novo diretor não havia percebido que aquele projeto poderia significar o ínício da indústria dos dispositivos móveis (smartphones e tablets). Mas, de certa forma, Sculley tinha razão: não havia tecnologia suficiente para a produção de um produto tão revolucionário.

Tela plana, o grande desafio inicial

Steve Jobs acabou saindo da Apple para fundar a NeXT. Surpreendentemente, os computadores da nova empresa também não vinham com monitores de tela plana. A verdade é que Jobs não encontrou dentro da indústria alguém que pudesse fornecê-la.

Enquanto isso, a Apple lançava o Apple IIc, seu primeiro modelo de tela plana. Mas ele não vendeu o esperado.

Em 1989 a Apple fabricou o seu primeiro computador portátil, o P2, fortemente influenciado pelo conceito de Alan Kay e seu Dynabook.

Primeiro tablet da Apple: design italiano

Neste mesmo ano, uma competição dentro da própria Apple deu início ao que viria a ser o iPad. A tarefa de cada equipe era o de criar um dispositivo móvel, sensível ao toque de uma caneta. Os traços deveriam então ser transformados em caracteres.

Além disso, o projeto pedia uma conexão sem fios “permitindo que os proprietários dos aparelhos compartilhem dados em estreita proximidade um com o outro através de ‘transmissão’ de informações entre dispositivos”.

E, por fim, o último objetivo: o novo aparelho não poderia ultrapassar os 6 mil dólares! Reclama aí dos preços! 

O grande vencedor foi na verdade uma empresa de fora e que também participara da competição: a italiana Giugiaro, mais conhecida pelo desenho de carros para a Maserati e Alfa Romeo. (Depois a Giugiaro apresentou um protótipo mais aperfeiçoado, chamado “Montblanc”).

Inconformados com a “vitória” dos italianos, o grupo de design da Apple, liderados por Robert Brunner, decidiu criar um novo desenho, de graça.

Criaram então vários protótipos, mas todos eles se pareciam muito com um projeto estilo “Vale do Silício”, enquanto o projeto da Giugiaro era simples, único, atraente, diferente.

1992: ideia do tablet é abandonada

Por outro lado, Michael Tchao, líder do grupo encarregado do desenvolvimento do novo produto (denominado “Newton Marketing”), queria um produto ainda mais portátil e mais barato (o Montblanc da Giugiaro ficaria entre 4 e 5 mil dólares).

Não é coincidência então que a Apple tenha lançado, mais de duas décadas depois, o iPhone antes do iPad.

Em 1992, Tchao convenceu Sculley a seguir na direção de um novo conceito, apoiado no design do “PocketNewt”, mais compacto. O projeto de um tablet e o desenho do grupo de Giugiaro estava definitivamente descartado.

Nasce o Newton, primeiro dispositivo móvel da Apple

Mas produzir um dispositivo menor, num curtíssimo espaço de tempo (apenas 5 meses) foi um desafio muito maior do que a equipe da Apple poderia suportar.

Problemas de ergonomia e de bugs no aplicativo principal adiaram várias vezes o lançamento do “Newton MessagePad”, que só viria a acontecer em 1993.

Não foi um sucesso absoluto, mas começava alí os primeiros passos da Apple rumo aos seus dispositivos móveis, então denominados PDA (personal digital assistants).

MacNewton: rumo ao iPad

Após o lançamento do Newton, a divisão Macintosh da Apple se sentiu mais livre para desenvolver um produto, inspirado nos seus desktops.

Mas, ao contrário do Newton, o novo dispositivo deveria rodar sob o sistema operacional do Mac e trabalhar com teclado e mouse.

Foram criados então cinco protótipos, todos com conceitos diferentes: o WorkCase, o Macintosh Folio , PenMac, PenLite e o Bic.

O WorkCase era uma (estranha) estação de trabalho, composta por uma tela autônoma, destacável, uma câmera, um teclado e outros periféricos que nem eu mesmo consegui descobrir o que é.

WorkCase: o “tablet” mais estranho

O  Macintosh Folio foi desenhado por Jonathan Ive, ainda hoje designer industrial da Apple, designer-chefe de produtos como o MacBook Air, o iPhone, o iPad, e muitos outros. Ele tinha uma tela sensível ao toque, com uma bateria embutida. Uma vez inclinado sob a sua base, poderia ser usado como um computador de mesa, com o teclado acoplável.

O PenMac tinha como principais características um CD-ROM embutido, uma bateria substituível, uma porta IR (para conexão sem fio) e uma caneta.

O PenLite, é de 1992. Este sim, o que mais se aproximava de um tablet atual. Era simples, descomplicado, sem nenhum periférico extra.

Mas, pouco antes de entrar no mercado, o projeto foi cancelado. Assim como nos demais protótipos, a Apple não conseguia resolver o problema do reconhecimento de caracteres. A dificuldade não era a caneta, nem a tela, mas a criação de um software para isso.

Finalmente o Bic, concebido pela Apple para ser comercializado em 1993. Era o melhor de todos os projetos da sua divisão Mac, cuja missão, como vimos, era a de criar um tablet.

Bic: o protótipo mais próximo do que seria o iPad

Ele tinha dois slots de cartão PCMIA, uma porta I/O, uma porta IR, um microfone, um alto-falante e uma bateria removível. Todos rodando em um processador ARM 610 20MHz.

Uma década perdida

Depois do Bic, o conceito de dispositivos móveis sumiu das salas de pesquisa da Apple. Ou pelo menos a empresa não falou mais no assunto.

Até que em 2004 a Apple apresentou uma patente, com desenhos nos quais aparece um usuário tocando a tela de um tablet.

Mas, logo depois, Jobs decidiu que a Apple deveria desenvolver o seu smartphone (iPhone). O projeto de um tablet multi-touch, baseado no sistema operacional do computador foi deixado para trás (ou seja, a ideia inicial era a de lançar o iPad antes do iPhone, como reconheceu Steve Jobs recentemente).

Patentes da Apple: em 2004 (à esquerda) e em 2007

Foi só em 2007, quando a Apple colocou o iPhone no mercado, que o projeto do tablet foi acelereado.

Em julho de 2008 a Apple homologou mais três patentes: de um tablet; de um notebook híbrido, com teclado; e outro com teclado mas com uma tela destacável.

Finalmente em 2010 – quase 40 anos depois dos primeiros estudos para a produção de um tablet – e já ancorada pelo sucesso do iPhone, a Apple lançou o iPad, .

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.

  • evellyn cristiny

    Verdade!!!! Concordo

  • Amitairr

    incrível….belo texto.. [e em poucas palavras] e fez se história…parabéns” by” PAZ

    • Paz

      Valeu, Amitairr.

  • carolina

    eu achei esse texto um pouco complicado e dava para simplificar.

  • carolina

    eu achei esse texto um pouco complicado e dava para simplificar.