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Análise completa do Surface Pro, o novo tablet da Microsoft lançado hoje

Depois de uma longa espera, a Microsoft finalmente anunciou hoje (9 de fevereiro de 2012) o início das vendas do Surface Pro, cuja principal novidade é rodar o novo Windows 8 Pro.

Estranho. Um sábado… nenhuma apresentação especial… um inverno terrível nos EUA…

O preço começa nos 899 dólares — no modelo sem teclado e com 64GB de armazenamento.

Já seria um valor bem salgado, mas este modelo com 64GB é, na verdade, um mico nas mãos de um comprador desatento.

Esta capacidade é até bem razoável para qualquer tablet que roda o Android, mas não para um tablet que roda o Windows 8 Pro. Afinal ele ocupa, sozinho, nada menos do que 41GB!

Com tudo, são 1.130 dólares!

Então, o preço do Surface Pro completo — com teclado (touch cover) e 128GB — salta para 1.130 dólares!

Só para se ter uma ideia, a loja norte-americana Best Buy, vende um notebook Toshiba 15.6 polegadas, 4GB de RAM, 320GB de armazenamento e acelerador gráfico, por 249 dólares! Com Windows 8 / 64-bit instalado!

Eu não pensaria duas vezes, economizaria 881 dólares (1.739 reais) e levaria o notebook da Toshiba, em vez do tablet da Microsoft.

Certo, você agora pode estar me perguntando: mas o que tem a ver um tablet com um notebook?

Bem, esta é exatamente a resposta que a Microsoft deveria dar aos seus (potenciais) consumidores.

Por que se a gente for abrir o Surface Pro, vai encontrar um pequeno notebook, montado dentro da carcaça de um tablet.

Ou seja, parece que o objetivo da Microsoft é este mesmo: atingir o usuário que deseja comprar um notebook “portátil”.

Outros preços

Modelo armaz. sistema Preço
Surface Pro 64GB Windows 8 Pro $899 (sem teclado)
$1.030 (com teclado)
Surface Pro 128GB Windows 8 Pro $999 (sem teclado)
$1.130 (com teclado)
Surface RT 32GB Windows 8 RT $499 (sem teclado)
$619 dólares (com teclado)
iPad 2 16GB iOS 6 $399
iPad 4 16GB iOS 6 $499
Nexus 10 16GB Android 4.2 (Jelly Bean) $399
Samsung Galaxy 10.1 16GB Android 3.0 (Honeycomb) $349
Acer Iconia W510 32GB Windows 8 Pro $399

 

Ergonomia não ajudasurface_pro_lancamento_detalhes

Na teoria, este conceito da Microsoft até que é interessante: um dispositivo “portátil”, com um teclado físico.

Ou seja, tudo de melhor de um tablet e de um notebook. Na prática, isso não funciona. Veja por quê:

Num notebook você tem um o touch pad e um teclado fixo.

No Surface, o teclado precisa ser encaixado. E para acessar quase todos os comandos é preciso tocar na tela touch screen — que quando usada com o teclado vai estar longe da sua mão.

Nem precisa dizer que depois de um dia de trabalho qualquer um vai ficar com dores no ombro e nas costas.

Mais poder, mais problemas

O Surface Pro tem como principal atrativo o sistema operacional Windows 8 Pro, capaz de rodar qualquer programa da Microsoft (o que não é possível no modelo Surface RT).

Bem, se esta é uma grande vantagem, também é a geradora dos principais problemas.

Para rodar o Windows 8 Pro, a Microsoft precisou redimensionar todo o dispositivo.

Com programas exigindo maior capacidade de processamento, até o sistema de ventilação precisou ser modificado, em relação ao Surface RT.

Por isso ele ficou mais pesado, mais encorpado.

Fora isso, o Windows 8 Pro também pede muito espaço. No modelo de 64GB, nada menos do que 41GB são reservados ao sistema operacional. Sobram apenas 23GB para o resto.

E, para poder rodar com todo o seu poder, ele exige muita energia. Para se ter uma ideia, enquanto a maioria dos tablets top de linha tem uma autonomia de 9/10 horas, o Surface Pro morre em menos de 4 horas.

Parecido com um notebook!

Por 100 dólares também dá para colocar um teclado Logitech no iPad
Por 100 dólares também dá para colocar um teclado (Logitech) no iPad

Microsoft não é a Apple

A Microsoft acertou ao tentar oferecer um novo produto, de acordo com que considerava ser uma necessidade do consumidor.

Mas errou ao não perceber que não poderia seguir os mesmos passos da Apple, com o iPad.

Vou tentar explicar: a grande sacada da Apple foi subverter os principais mandamentos do marketing, que exigem uma pesquisa de mercado antes do lançamento de um produto ou serviço.

Mas a Apple tinha uma ideia, tinha a tecnologia, tinha uma filosofia, tinha os profissionais adequados para oferecer ao mercado um produto que não existia.

A Microsoft tentou caminhar pela mesma trilha. E, para mim, se deu mal.

O problema é que a Microsoft nunca foi uma companhia “inovadora”.

Pelo contrário, a sua imagem (e atitude) conservadora até ajudou a empresa no sucesso do Windows, seu único grande produto até aqui.

A ideia até que era boa: lançar um aparelho que fosse, ao mesmo tempo, um tablet e um notebook. Só que o Surface Pro não é uma coisa, nem outra.

É caro, pesado e “grosso” demais para ser um bom tablet; é caro e tem poucos recursos para ser um bom notebook.

Melhor seria se a Microsoft gastasse todas as suas energias no Windows 8 e na sua loja de aplicativos, e deixasse a parte de hardware com outro fabricante.

Como fez o Google, ao transferir esta tarefa à Asus, nos seus tablets Nexus 7 e Nexus 10.

 

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Surface com Windows 8 Pro

Ao contrário do Surface com Windows RT, ele roda sob um processador Intel, o que possibilita o uso de programas Windows tradicionais
PREÇO
899 dólares (64GB, sem type cover) / 1.130 dólares (128GB, com typecover)
NAS LOJAS (EUA)
9 de fevereiro de 2013
ESPESSURA
13,5mm
PESO
903 gramas
CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO
64GB / 128GB
TELA
10.6″ ClearType Full HD Display / 1920×1080 pixels / multi-touch em 10 pontos
PROCESSADOR
Intel Core i5 COM Intel HD Graphics 4000 / 4GB RAM—Dual Channel Memory
PORTAS
USB 3.0 full-size / cartão microSDXC

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.