Apple pode estar abrindo uma fábrica no Brasil

Por enquanto são apenas boatos. Mas se analisarmos apenas o número de reuniões já confirmadas entre a Apple e governos estaduais, governo federal e a fabricante chinesa Foxconn, a vinda da empresa norte-americana para o país pode ser dada como praticamente certa.

Por trás desse negócio estão de um lado a própria Apple, é óbvio, e de outro a Foxconn, montadora chinesa do iPhone e iPad; o governo brasileiro; os governos do estado de São Paulo e do Rio de Janeiro; e alguns investidores nacionais, entre os quais estaria o bilionário Eike Batista.

Lotes de iPads já estariam a caminho

Segundo a Folha de São Paulo, o primeiro lote de componentes para a montagem de iPads já teria partido da China em direção ao Brasil. A previsão de chegada seria de até dois meses, tempo em que a Apple se já se beneficiaria da nova política de incentivos do governo.

Governo federal no centro das negociações

Já o governo brasileiro tem interesse na vinda de produtos de alta tecnologia, tanto para reduzir seus valores como disseminar seu uso na rede de ensino (com a inclusão de outras marcas também).

Na sua visita à China, a comitiva brasileira, liderada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, se reuniu com o presidente da Foxconn, Terry Gou. Na agenda do encontro estava marcada uma “parceria tecnológica”, mas o mais provável é o início de negociações para a produção de computadores – e principalmente de tablets.

O governo brasileiro também condicionaria o fechamento deste negócio à entrada de um grande investidor nacional. Isso não seria muito difícil de se encontrar, já que estão previstas uma redução de 30% na alíquota de impostos para a venda de tablets e isenção ou redução de impostos estaduais para a instalação da montadora.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já anunciou a intensão do governo em reduzir o PIS e Cofins em até 9,25%, classificando os tablets na mesma faixa dos computadores.

Guerra fiscal já está em andamento

A Foxconn já possui uma fábrica em Jundiaí, interior de São Paulo, onde são montados equipamentos de outras marcas, como a Sony e HP. Bastaria somente uma ampliação desta montadora, ou até mesmo a construção de uma nova unidade, especialmente para os produtos da Apple.

O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, já estaria em negociações com diretores da própria Apple e o anúncio do local da nova montadora seria anunciado ainda em abril. [Fonte: Istoé Dinheiro]

Para convencer a empresa norte-americana a ficar em São Paulo o governo do Estado oferece isenção de IPI, redução de ICMS de 18% para 7%, além de outros benefícios. [Fonte: Folha de São Paulo]

O objetivo seria vender à Apple a idéia de montar aqui um polo de exportação para toda a América Latina. Para Julio Semeghini, secretário de Gestão Pública de São Paulo, os preços dos tablets seriam reduzidos em até 40%, graças aos incentivos oferecidos (se houver só a redução de PIS e Cofins, os iPads teriam uma redução de apenas 5% no varejo). Um iPad 2 teria um preço aproximado de R$ 900,00.

Mas também poderia ser construída uma nova unidade no Rio, e aí entram os interesses do governo carioca e do empresário Eike Batista. Ele já confirmou que está em negociações com os parceiros chineses da Apple. Na verdade a vinda da empresa norte-americana representaria uma publicidade gratuita para outro mega negócio do empresário: o Superporto do Açu, onde já foram investidos R$ 4,3 bilhões.

A intensão é a de que o empreendimento entre em funcionamento ainda em 2012, em uma área do complexo industrial, localizado ao lado do porto. [Fonte: O Estado de São Paulo]

Seria um “negócio de ocasião”, tanto para os governos federal e estaduais (Rio ou São Paulo), quanto para os investidores norte-americanos, chineses e brasileiros. Resta saber qual é a estratégia da Apple para o mercado latino-americano.

Outras empresas também querem suas montadoras aqui

Se confirmada a isenção e redução de impostos, outros fabricantes de tablets podem entrar no mercado brasileiro, como a norte-americana Motorola. A Samsung já tem a sua montadora, em Campinas (SP) e a LG informou que está vindo para cá.

Mas uma das maiores interessadas em entrar neste mercado é a brasileira Positivo. Além de ser a maior montadora de computadores desktop do país, a empresa tem forte atuação na área educacional. Com os benefícios fiscais, a Positivo deverá se associar a alguma grande fabricante para montar tablets com a marca da empresa.

Redução de preços é apenas uma hipótese

Se por um lado o governo brasileiro tenta demonstrar um interesse em reduzir sua dependência tecnológica, por outro lança incentivos fiscais para a simples montagem de produtos no país.

Se esta estratégia vai dar resultados é preciso esperar. Se pegarmos como exemplo outras empresas, como a Samsung, não espere muita coisa. Mesmo montando seu tablet de 7 polegadas no Brasil, não se viu uma redução substancial dos preços, que permanecem proibitivos para o consumidor brasileiro.

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.