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Jornais e revistas brasileiros apostam tudo no iPad

Mesmo que os donos das maiores publicações brasileiras insistam em afirmar que as vendas estão em alta, a verdade é que estão, no mínimo, estagnadas.

Há dez anos a Folha de São Paulo vendia 470 mil exemplares/dia. Hoje vende 300 mil. No final dos anos 90 a Veja batia na casa dos 1,9 milhão de exemplares, e hoje vende 1,2 milhão. (neste mesmo período a população cresceu em 20 milhões de pessoas). [Fonte: IVC]

Enquanto a versão para o iPad da Folha de SP, por exemplo, já representa 5% do total da circulação paga do jornal. Em apenas 7 meses! Leia post do MacMagazine

Para todas estas empresas a saída está nos dispositivos móveis. Por um grande motivo: os custos para manter um jornal ou revista em papel são absurdamente grandes. Parques gráficos que devem ser atualizados constantemente; preço do papel, da tinta, da distribuição.

Concorrência de peso

Apesar do seu poderio econômico, as empresas de jornais e revistas do Brasil perceberam que o iPad pode ser um porto seguro para enfrentar outros concorrentes menores: sites especializados, blogs e redes sociais (não é mais difícil encontrar blogs especializados brasileiros com audiência de 100 mil, 200 mil visitantes mensais).

Assim, ter um espaço na loja da Apple não garante um aumento da audiência. Talvez apenas uma migração dos seus atuais leitores para o meio digital.

E mesmo que isso aconteça, o sucesso ainda não estará garantido: simplesmente porque as grandes publicações estão perdendo aquilo que sempre foi a sua sustentação:

1 — A credibilidade (perdida para os sites independentes);

2 — A instantaneidade (as redes sociais informam com muito maior rapidez);

3 — E a profundidade (a maioria dos blogs e sites especializados entregam muito mais informação).

Quantidade não é qualidade

Um dos maiores argumentos de venda dos grandes grupos de comunicação para convencer o usuário em assinar as suas versões para iPad é a quantidade de informações disponíveis.

Bem, está exatamente aí o que eles tem de pior a oferecer. Com algumas exceções, como a revista Época, a maioria das publicações em iPad exageram nas opções, na escolha das notícias e na hierarquia do conteúdo. É tudo muito chato e confuso.

Afinal, quem vai querer um bônus da coluna da Miriam Leitão, no Globo, com mais informações, mais tabelas, mais vídeos. Já basta a chatice de aturá-la todo o dia na tv, no rádio…

E ainda não vimos nada

Os tablets, apesar de serem dispositivos relativamente pequenos e leves, ainda sofrem com a duração da bateria e a qualidade da tela.

A próxima geração dos tablets virá ainda mais fina, mais leve e com telas que eliminam a reflexão de luz.  E com muito maior resolução.

Tudo isso vai aproximar, cada vez mais, a experiência de leitura que temos hoje com as publicações em papel.

Previsões indicam o fim dos jornais em papel

Para o Future Exploration Network (FEN), empresa norte-americana que presta serviços de consultoria para grandes organizações, a maioria dos jornais serão extintos por volta do ano 2030.

No Brasil em 2027 e o último, entre todos os países, a Argentina (em 2039). O primeiro país a abolir o papel seria os EUA, ainda em 2017. Veja o infográfico (em PDF).

Exagero? Também acho. Mas…

Mais informações:

http://macworldbrasil.uol.com.br/noticias/2010/12/30/vendas-de-revistas-para-ipad-despencaram-em-2010/

http://meiobit.com/78803/revistas-no-ipado-hype-em-perigo/

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.