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Ministério Público inicia fiscalização na rede Zaffari

A Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, através da Vigilância de Alimentos da Prefeitura de Porto Alegre, iniciou uma fiscalização nos estabelecimentos da rede Zaffari de supermercados.

A ação teve início na loja da Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, na quinta-feira, dia 15 de novembro. A Vigilância entrou inúmeras irregularidades, como problemas na refrigeração e acondicionamento de alimentos. Veja mais neste link.

Comprar bem…

Há muito que o slogan Economizar é Comprar Bem já não se aplica aos consumidores dos Supermercados Zaffari.

Os preços da maioria dos produtos quase sempre estão acima dos índices de inflação.

Fora isso, a rede de supermercados passou a adotar uma estratégia de vendas que nada tem a ver com economia: dificilmente se encontra um produto com valor menor do que 5 reais.

O atendimento, que sempre foi uma marca do Zaffari, passou a ser negligenciado, como se a rede estivesse fazendo um favor a população de Porto Alegre. Não é difícil se encontrar funcionários dentro dos próprios estabelecimentos reclamando dos salários baixos.

Primeiro Zaffari na Av. Protásio Alves. Hoje uma pequena loja de colchões
Primeiro Zaffari na Av. Protásio Alves. Hoje uma pequena loja de colchões

Fórmula mágica

A estratégia da Rede Zaffari foi sendo construída desde os anos 1970. A partir de um pequeno mercado alugado, localizado na avenida Protásio Alves, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, a empresa passou a investir em terrenos extremamente bem escolhidos nas principais regiões da cidade.

O grande salto aconteceu ainda na década de 70, quando instalou o primeiro hipermercado da capital, na Avenida Ipiranga, até chegar a sua rede de shoppings Bourbon, primeiro em Porto Alegre , depois em São Paulo.

Em 2012 expandiu seus negócios com a compra do Moinhos Shopping e do Hotel Sheraton, em Porto Alegre.

Segundo o ranking da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados – o grupo ocupa a quinta posição entre as redes mais rentáveis do país, com 31 lojas e um faturamento bruto de 4,5 bilhões de reais (2015).

A multiplicação de lojas aumentou os lucros da rede na mesma proporção em que caia a qualidade do atendimento aos clientes.

Mesmo com preços altos, produtos sem a qualidade e cuidados de antes e negligência no atendimento, os supermercados da rede ainda contam com uma alta rentabilidade.

Não é difícil explicar as razões: suas lojas estão localizadas em pontos estratégicos, em terrenos super valorizados e o seu principal concorrente, a rede Walmart/Nacional, nunca apostou seriamente na região sul. Sem investimentos nas lojas, na sua própria imagem e com um mix de produtos sem relação com o gosto do consumidor gaúcho, o Walmart deixou espaço livre para a liderança do Zaffari.

Com uma imagem tão poderosa junto ao povo gaúcho, a rede Zaffari não via razões para se preocupar com a qualidade. Uma estratégia impensável nos primeiros anos da pequena empresa.

Carros furtados dentro dos estabelecimentos tornaram-se cenas comuns. Assim como a venda de carnes estragadas, falta de etiqueta de preços nas gôndolas, verduras e frutas fora do prazo de consumo e atendimento desleixado.

Ministério Público

A entrada do Ministério Público, através da sua divisão de Direitos do Consumidor, talvez devolva aos gaúchos um pouco mais de respeito por parte da rede Zaffari.

A intervenção no estabelecimento da Avenida Ipiranga, na quinta-feira, 15 de setembro de 2016, talvez seja apenas o começo para que a empresa cumpra o mínimo da legislação que defende as relações entre empresas e consumidores.

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.