veja_boimate2

O dia em que a Veja cruzou um boi com um tomate

Matérias “sacanas” de 1º de abril são uma tradição em certos países, como na Inglaterra.

Mas em 1983 não tinha internet; longe disso, as informações só chegavam por teletipo, um aparelho mais jurássico do que o fax.

Foi aí que a revista Veja entrou para a história do jornalismo brasileiro publicando uma notícia sobre uma “revolução” científica: o cruzamento do boi com o tomate.

Notícia da Veja sobre o Boimate em 1983
Notícia da Veja sobre o Boimate em 1983

Dizia a matéria:

“A experiência dos pesquisadores alemães permite sonhar com um tomateiro do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate”.

Não, a Veja não tinha entrado na brincadeira de 1º de abril; o texto dava a notícia como verdadeira, apesar de todas as pistas de que seria uma notícia falsa.

A começar pelo chefe das pesquisas , um tal de MacDonald, alemão, biólogo da Universidade de Hamburgo.

Bem, tudo isso era só para completar um post bobo de 1º de abril que redigi aqui no Blog e que acabou se tornando um dos mais lidos deste mês.

Eurípedes e a sua plantação de tomates

Mas ao procurar informações mais precisas sobre o caso “Boimate” vi que a capa da Veja (sem trocadilho) desta semana era:

“Dilma pisou no tomate”.

veja capa Dilma pisou no tomate
Capa da Veja desta semana

Mais do que isso: acabei descobrindo que o diretor da revista é Eurípedes Alcântara, o mesmo Eurípedes repórter que assinava a matéria do “Boimate” de 1983.

Fiquei pensando: alguém da Veja tá de sacanagem com o pobre Eurípedes.

Mas logo caiu a ficha; o cara é o poderoso chefão da revista.

Então por que uma capa com tomate, logo esta fruta que manchou a imagem de Eurípedes?

Cheguei a conclusão que a Veja continua a mesma de sempre; não sai do mesmo lugar.

Nas raras vezes em que eu dei umas folheadas na sua edição de papel, nos últimos anos, o assunto sempre foi irritantemente o mesmo: Cuba, Venezuela, Lula, Dilma, Cristina Kirchner.

E agora o tomate.

Thatcher, Fujimori e Pinochet

Aproveitando-se da morte de Margaret Thatcher e da alta do preço do fruto do tomateiro, a Veja tenta nos ensinar mais uma vez que a ação correta dos governos é seguir o padrão neoliberal; cortar os gastos e elevar os juros.

Nenhuma surpresa para uma publicação que um dia também já elogiou Alberto Fujimori e Augusto Pinochet.

É que, no fundo, a Veja não se importa com ideologias. O que interessa mesmo é defender justamente a parte mais predadora do capitalismo nacional: os grupos empresariais ligados ao setor financeiro.

Assim, não é nenhuma surpresa que a revista venha atacando justamente os governos que defendem uma maior pluralidade dos meios de comunicação.

Vou deixar para Luis Nassif, jornalista que aliás já foi processado por Eurípedes, definir o atual momento do jornalismo nacional:

“Os jornais pertencem a grupos empresariais com interesses extra-jornalísticos. Muitas vezes o direito à informação é utilizado para atender a estratégias empresariais desses grupos. Quem está fazendo o contraponto, o papel moderador, são os novos meios de comunicação, na Internet”.

///

Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.

  • paraná

    Erros acontecem. O problema é que a Veja se diz imparcial, como se fosse possível esconder as suas preferências políticas.

  • Maurício

    Eu também não gosto muito da Veja, mas não dá para negar que ela fez a denúncia de muitas coisas erradas do governo petista. Mensalão, inchaço no número de fincionários, etc, etc.