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Os melhores – e piores – programas de humor na TV em 2016

Já se passaram três anos do fim da MTV; os melhores humoristas da casa foram contratados pela Globo.

Tatá Werneck, o maior talento do falecido canal da Abril, participa de papéis engraçadinhos em novelas. O Adnet – a maior aposta da Globo – não consegue emplacar um bom programa. E a Dani Calabresa, de protagonista, virou uma figurante no Zorra.

Em 2016 as apostas das emissoras, abertas e fechadas, foram direcionadas para os humoristas com maiores seguidores no YouTube. Fábio Porchat, com um programa próprio, e tantos outros, como convidados de programas de humor.

Dá para entender: as tvs comerciais e não querem arriscar com novidades. É por esta razão que as redes sociais vão ocupando este espaço.

 

OS MELHORES

 

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Tá Rindo do Quê?

nota4Quase sempre os melhores programas de humor nascem das ideias mais simples. O Tá Rindo do Quê? segue esta fórmula.

Três humoristas (Marcelo Marrom, Rafinha Bastos e mais um convidado) vão para alguma cidade brasileira, entrevistam alguns moradores de lugares conhecidos do local e, no final, fazem um show stand-up, zoando o lugar e decidindo quem foi o melhor. Deu certo.

Destaque

Rafinha Bastos é um craque no stand-up, mas o Marcelo Marrom tem o humor na veia. Descoberto por Paulinho Serra (ex-MTV) ele começou ajudando os humoristas mais famosos em apresentações de stand-up, fazendo o acompanhando musical, com seu violão.

Neste programa do Multishow ele revela o seu talento, como humorista e como músico.

Sem graça

Entrevistas só para preencher o tempo do programa e a falsa competição entre os humoristas.

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Pânico na Band

nota3O Pânico é um fenômeno. Depois de treze anos não chega nem perto da surpresa do seu início, mas – acreditem! – ainda é o programa de humor mais criativo da tv aberta.

O que prova mais uma vez que os gastos em produção são menos importantes do que boas ideias e uma edição mais livre, como pede um programa de humor. Aliás, a edição sempre foi o grande diferencial do Pânico.

Destaque

Talk Shows em Pânico. Danilo Gentil, Marcelo Adnóia e Fábio Porchato (Daniel Zukerman) detonam os principais talk shows da tv. Destaque todo especial para a participação do Gui Santana como Faustão (excelente, sem dúvida a melhor imitação de dezenas já feitas).

Botecão do Pânico. Vesgo (Rodrigo Scarpa), como Gugu e Gui Santana, como o (ótimo) Ratinho, entrevistam artistas em um boteco improvisado. A disputa pelo maior bebedor de cachaça ficou meio desnecessária.

Sem graça

Palhaços malditos. Parece meio fake, e deve ser mesmo. Mas essa ideia de assustar pessoas na rua já passou, e não tem a menor graça.

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Programa do Porchat

nota3A crise na tv aberta não deixa margens para erro. O Programa do Porchat é o seu exemplo mais escancarado.

A Record foi buscar um talk show formatado pela Eyeworks, com os tradicionais apresentador, sofá, conjunto musical. E Fábio Porchat, um humorista com um grande público no YouTube (Porta dos Fundos).

O Fábio Porchat é talentoso e tal, mas o programa é irritantemente arrastado, quadros bem engraçados misturados a outros meio chatos e entrevistas com os artistas de sempre.

Destaque

Seguindo a fórmula que já deu certo no The Noite, o PdoP tem o seu melhor momento quando introduz temas atuais. Aliás, o Porchat manda bem melhor do que o Danilo Gentili quando o assunto é política.

Sem graça

Alguns quadros como o Tela à Vista e o ritmo arrastado do programa.

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The Noite

nota3No seu terceiro ano de SBT, o The Noite se consolida como o melhor talk show da tv aberta.

Não que seja tão bom quanto um Jô Onze e Meia, atração da emissora na década de 1980. Para isso, ainda falta um enorme caminho para o Danilo chegar perto do conteúdo intelectual do Jô. Falei conteúdo,  e não inteligência.

Por esta razão, as entrevistas ficam meio óbvias, na sua maioria. Por outro lado, o apresentador é rápido na improvisação, e esta é, sem dúvida, a grande qualidade do programa.

Destaques

Não é fácil produzir tanto conteúdo de humor num programa semanal. A produção do The Noite supera este obstáculo colocando vários humoristas convidados. Isso dá ritmo ao programa, o grande defeito do Programa do Porchat.

Sem graça

Entrevista com “figurinhas carimbadas”.

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Encrenca

nota3Não dá para dizer que o Zap-Zap seja um programa de humor daqueles imperdíveis. Longe disso. Mas também não é dos piores.

Quase todo o conteúdo chega através dos vídeos do YouTube, mas a edição bem feita faz a diferença. É arrastado demais, o mesmo defeito do Pânico e do Programa do Porchat.

Destaque

A escolha de alguns vídeos atuais e a edição do programa.

Sem graça

Algumas esquetes dos próprios integrantes do programa e vídeos repetidos e/ou antigos.

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OS PIORES

Zorra

nota1A Globo não acerta um bom programa de humor desde o fim do Casseta&Planeta.

Não adianta apenas contratar uma Dani Calabresa sem apresentar o pacote inteiro. Ou seja, para dar certo, teria que existir muito mais improvisação – e menos padrão Globo de qualidade.

Adnight

nota0O Adnet é um baita humorista. Mas parece que ele não combina com a emissora. Muito cenário, muito excesso, enfim, muita Globo.

Sem querer ser chato ou saudosista, mas na MTV bastavam um estúdio de uns 10 metros – e nada mais.

A Praça é Nossa

nota0A Praça completa, este ano, 60 anos. Quase a metade deste tempo  (29 anos), no SBT.

Não tem mais graça faz muito tempo. Tirando alguns quadros, como a Dilma (Alexandre Porpetone) quase todo o resto é puro humor “vergonha alheia”.

Ou seja, conteúdo sexista, não raras vezes preconceituoso e levemente homofóbico. Sem tocar em temas raciais – que deve ser para evitar problemas na Justiça.

Mas se depender do público, a Praça ainda vai ter longos anos de vida No dia 3 de outubro liderou a audiência ao bater a Globo (Jornal da Globo) por 12,4 a 10,9. Também um claro sinal de que a concorrência entrega um conteúdo fraco e desinteressante.

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.