privacidade

Saiba como as empresas vigiam você na web e nos apps

Muitos especialistas afirmam que se algum serviço na web for de graça, desconfie; porque, na verdade, o produto é você.

Antes que você chegue até o fim, ou principalmente se você não chegar lá, já antecipo a minha opinião: muita coisa tem que mudar, mas – hoje – o compartlhamento de dados pessoais superam os seus problemas.

É difícil saber se o usuário não tem conhecimento sobre essa intromissão das grandes corporações ou se simplesmente ele não está preocupado com isso.

Alguma vez você leu as condições de uso antes de baixar algum aplicativo?

Então vou listar algumas ações que você com certeza já autorizou:

Usar a sua câmera

O seu microfone

Captar o que você digita

Futricar os seus emails

Ver as suas fotos…

O auge destes discussões éticas sobre privacidade do usuário aconteceu justamente depois do lançamento do aplicativo Google Photos. Pelos termos de uso, o Google retem para si os direitos de propriedade das suas fotos. Sim, isso mesmo, por estas condições, suas fotos podem ser comercializadas para qualquer fim e a grana vai pingar nos cofres do Google.

Provavelmente o Google nunca vá fazer isso; não seria interessante para a imagem da empresa. O mais provável é que ela use as imagens do Google Photos para lucrar com as preferências dos usuários, não com o comércio das fotos. Com base nas suas imagens e nos lugares em que você esteve. Se você usa tal marca, se faz viagens para tal lugar, etc. Bem mais inocente.

Mas nos termos de uso está lá: ela pode comercializar as suas imagens.

Hora para pensar

Para alguns tipos de uso talvez nada disso seja importante mesmo, mas já imaginou se você estiver usando um serviço através de um aplicativo, gravar informações importantes, conteúdo pessoal, e se de repente a empresa, dona deste aplicativo, decidir simplesmente acabar com o serviço?

E está lá nos termos, mas você não leu: esse serviço poderá ser interrompido a qualquer momento e bla, bla, bla.

Acompanhe: você tem uma planilha com seus clientes e usa um serviço na nuvem, tipo Google Docs. E o Google perde seus arquivos… Impossível? Pois já aconteceu com o Gmail.

Claro, estou falando do Google porque ele é uma dos gigantes e o mais conhecido, mas quase todas as outras grandes corporações seguem por este mesmo caminho.

Permissões de aplicativos

O YouTube, por exemplo, pode encerrar a sua conta sem dar explicações. E os termos de uso podem ser modificados sem que a empresa precise avisar.

Você que usa o Facebook num smartphone com Android. Pois saiba então que eles podem gravar o seu vídeo e áudio a qualquer momento sem precisar da sua autorização. Você leu os termos antes de baixar o Facebook?

No Twitter, se você cancela a sua conta, eles detem os direitos sobre o seu conteúdo.

Inúmeros serviços como a OLX, Skype, Evernote, impedem que você delete a sua conta. Outros, como o Spotify, podem deletar a sua conta sem o seu consentimento.
Esta invasão não vem apenas dos aplicativos. Os donos de Samsung sabem do que eu estou falando: a enxurrada de “recursos” que ficam rodando ao fundo enquanto usamos um

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Termos de uso do Facebook: o “segredo” da força da empresa

O que os serviços podem fazer:

Facebook

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Licença de direitos autorais muito amplo sobre o seu conteúdo[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Este serviço rastreia você em outros sites[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Facebook compartilha automaticamente os seus dados com muitos outros serviços[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Facebook usa seus dados para muitas finalidades[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] O aplicativo Android pode gravar som e vídeo a partir do seu telefone, a qualquer momento, sem o seu consentimento.[/li]
[/list]

Google

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Google mantém suas pesquisas e outras informações de identificação do usuário por um período indefinido de tempo[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Google pode usar o seu conteúdo para todos os seus serviços existentes e futuros[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Este serviço rastreia você em outros sites[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Google pode compartilhar suas informações pessoais com outras partes[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Google pode parar de fornecer serviços para você a qualquer momento[/li]
[/list]

YouTube

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Os termos podem ser alterados a qualquer momento a seu critério e sem aviso prévio ao usuário[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Eles podem remover seu conteúdo, a qualquer momento e sem aviso prévio[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] A licença de direitos autorais é mais ampla do que o necessário[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Redução do prazo legal para a causa da ação[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Vídeos excluídos não são realmente apagados[/li]
[/list]

Yahoo

[list]
[li type=”glyphicon-plus”] Licença de copyright do Yahoo para fotos, gráficos, áudio e vídeo para fins limitados[/li]
[li type=”glyphicon-plus”] Licença de copyright do Yahoo para grupos limitados[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Os termos podem ser alterados a qualquer momento, sem aviso prévio ao usuário[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Você deve fornecer seu nome legal no momento do registo[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] A sua conta pode ser suspensa por várias razões[/li]
[/list]

Twitter

[list]
[li type=”glyphicon-plus”] Twitter exclui dados de rastreamento em 10 dias e oferece opõçes de o usuário não aceitar alguns serviços[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Licença de direitos autorais muito amplo sobre o seu conteúdo[/li]
[li type=”glyphicon-plus”] Você pode recuperar um arquivo de seus dados[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Mudanças críticas aos termos com o envolvimento dos usuários pequenos[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Twitter exclui sua conta após 30 dias. Ele mantém os direitos sobre o seu conteúdo[/li]
[/list]

Flickr

[list]
[li type=”glyphicon-plus”] Licença de copyright do Yahoo para fotos, gráficos, áudio e vídeo para fins limitados[/li]
[li type=”glyphicon-plus”] Flickr permite que você escolha uma licença de direitos autorais[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Usuários estão sujeitos aos termos do Yahoo![/li]
[li type=”glyphicon-plus”] Você pode escolher com quem você compartilha sua foto[/li]
[/list]

Instagram

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Licença de direitos autorais muito amplo sobre o seu conteúdo[/li]
[li type=”glyphicon-minus”] Você renuncia a seu direito de uma ação de classe[/li]
[li type=”glyphicon-plus”] Termos podem ser alteradas a seu critério, mas que irá notificá-lo antes[/li]
[/list]

OLX

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Você não pode excluir a sua conta[/li]
[/list]

WhatsApp

[list]
[li type=”glyphicon-minus”] Os termos podem ser alterados a qualquer momento a seu critério, sem aviso prévio ao usuário[/li]
[/list]

Fonte: Terms of Service Didn’t Read

Paranóia

O fato é que ainda não existe uma legislação que defenda os direitos dos usuários da internet. Do outro lado estão as grandes corporações tentando se defender de possíveis punições – como as impostas pela União Européia contra o monopólio do Google/Android. Caso parecido aconteceu na década de 1990 com a Microsoft/Windows/Internet Explorer.

Alguns especialistas – na qual eu me incluo – acham que a mudança deveria vir da forma de como os sistemas operacionais e desenvolvedores de aplicativos mostram as opções de privacidade e de interferência, via notificações. Que deveriam ser muito mais explícitas nas suas ações, oferecendo uma forma simples de o usuário entender, acessar e intervir em qualquer aplicativo.

E que houvesse um recurso para que o usuário simplesmente pudesse deletar qualquer função de estivesse interferindo na sua rotina de trabalho. Como porcarias rodando em segundo plano e notificações buzinando no seu ouvido. Num Android por exemplo, isso é uma tarefa quase impossível.

Como se “defender”

As grandes corporações, como o Google ou Facebook, impõem uma série de condições para o uso dos seus serviços. Nem por isso elas lançam mão de todas as obrigações impostas aos usuários. O que existe é um acordo implícito no uso de informações privadas. Mas quem garante que isso não pode ser quebrado? Enviar informações pessoais de usuários ao governo norte-americano, por exemplo, como já aconteceu.

Não existe nenhuma fórmula mágica para se evitar a intromissão na sua privacidade, a não ser fazer uma pressão sobre os governantes para que mudem a legislação.

Quem usa aparelhos da Apple pode dormir um pouco mais tranquilo; a empresa adota uma política menos invasiva no trato com os seus clientes.

Donos de dispositivos com Android têm menos opções. O sistema impede ou dificulta o acesso que permite ao usuário desligar a maioria dos serviços. O caminho seria liberar o root, mas está é uma ação com alguns riscos.

Acompanhar as permissões de aplicativos no Android: Configuraçãoes > Geral > Gerenciador de AplicativosAplicativos >
Conferir as permissões de aplicativos no Android: Configuraçãoes > Geral > Gerenciador de Aplicativos

Sem paranóia

A coleta de dados tem o seu lado positivo. Ela é a responsável por enormes melhorias da experiência do usuário, na medida em que os desenvolvedores de aplicativos e de Web sites tomam conhecimento dos hábitos dos seus clientes e retribuem esse conhecimento entregando facilidades.

Algumas soluções radicais seriam deixar de navegar na web, navegar no anonimato e até começar a usar a deep web, através do navegador Tor.

Mas o lado bom da Internet é justamente a liberdade do uso a liberdade de opinião – sem atravessar os limites da lei. Nos próximos anos possivelmente haja uma nova legislação mundial regulando os limites de às empresas interferirem na privacidade dos usuários.

Mas você precisa prestar atenção ao usar informações pessoais e comerciais que não devem estar disponiveis na rede.

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.