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Web x Internet: a grande batalha dos próximos anos

Wired é uma das melhores publicações sobre tecnologia. Na sua versão online os editores Chris Anderson e Michael Wolff, fazem uma análise muito interessante sobre o futuro da rede – um tema fundamental para qualquer profissional que trabalhe nesta área.

O texto a seguir é um resumo deste artigo, com pequenas adaptações para que fique mais claro:

Há apenas alguns anos acreditava-se que os navegadores reinariam absolutos, substituindo os programas que temos no hd (Office, Photoshop, etc). Depois, a ideia de navegação nas nuvens parecia uma tendência inevitável.

Os aplicativos web substituiriam os programas, enquanto os sistemas operacionais seriam reduzidos a um pequeno conjunto de drivers de dispositivo.

Tudo isto num um sistema aberto, livre, sem um controle central. Primeiro foi Java, depois Flash, Ajax e agora HTML5, todos prometendo colocar os aplicativos “na nuvem”.

Mas ao longo destes anos uma das mudanças mais importantes no mundo digital foi o surgimento de plataformas web que utilizam a internet como um transporte, sem a necessidade do uso do navegador.

Esta tendência é agora impulsionada principalmente pelo crescimento do modelo de computação móvel (leia-se iPhone) no qual o HTML não é regra.

Isto não representa apenas uma rejeição pura e simples do usuário pela Web, mas simplesmente indicam que estas plataformas dedicadas muitas vezes funcionam melhor ou se encaixam melhor em suas vidas (a informação chega até eles e não o contrário).

Um modelo que abre novas oportunidades para as empresas ganharem mais dinheiro. Produtores e consumidores concordam: a Web não é o ponto culminante da revolução digital.

Isto porque a web é, afinal, apenas um dos muitos aplicativos que existem na Internet, e que usa os protocolos TCP e IP para mover os pacotes de informações. É nesta arquitetura – e não nos aplicativos específicos construídos para ela – onde reside esta revolução.

HTML é minoria na rede

Hoje, o conteúdo que você vê no seu navegador – em grande parte formado por dados HTML entregues via protocolo http na porta 80 – representa menos de um quarto do tráfego na internet … e está encolhendo.

Entre as aplicações que respondem pela maioria do tráfego da Internet estão as transferências de arquivos, e-mail, Skype, jogos online, Xbox Live, iTunes, telefones de voz sobre IP, iChat e streaming de filmes Netflix. E muitas das aplicações mais recentes são fechadas.

Uma mudança que só tende a se acelerar. Dentro de cinco anos, segundo a consultoria Morgan Stanley, o número de usuários que acessam a rede a partir de dispositivos móveis vai ultrapassar o número dos que acessam de computadores.

Como as telas são menores, o tráfego móvel tende a ser controlado por softwares específicos, principalmente aplicativos projetados para uma única finalidade. Devido à experiência otimizada em dispositivos móveis, os usuários vão abandonar o navegador. Eles estarão usando a internet, mas não a web.

Ciclo inevitável

Isso tudo é inevitável. É o ciclo do capitalismo. A história das revoluções industriais, afinal, é a história da batalha pelo controle do poder. A tecnologia é inventada, se dissemina, e então alguém descobre uma nova forma de fazer a mesma coisa, e se abandona o que até então era dominante. Isso acontece o tempo todo.

Claro, sempre teremos páginas web. Da mesma forma que ainda temos cartões postais e telegramas, não é mesmo?

Mas o centro da mídia interativa – cada vez mais o centro de gravidade de todos os meios de comunicação – está se movendo para um ambiente de pós-HTML prometido há quase uma década e meia.

Ainda que os exemplos desta época fossem um bocado toscos – um “espaço 3D” e “notícias enviadas para um pager” – pelo menos num ponto isto se concretizou: a interação entre as máquinas aconteceria menos em função da navegação e mais na forma de como obter as informações.

Consumidor quer praticidade

O conceito de se obter a informação “passivamente”, ou seja esperar que ela venha até você, em vez de procurá-la, reapareceu com as APIs, apps e smartphones.

Com uma novidade extra: os serviços pagos. E desta vez temos a Apple e os seus iPhone e iPad liderando o caminho, com dezenas de milhões de consumidores dispostos a gastar por novas apps.

Este futuro pós-Web agora parece muito mais convincente. E na verdade, ele já existe.

html5Mas porque isto está acontecendo desta forma? Culpa da natureza humana. Por mais que gostemos de um ambiente aberto e livre, no final do dia vamos escolher o caminho mais fácil.

Vamos preferir pagar pela conveniência e pela segurança, razão pela qual o iTunes pode vender músicas por 99 centavos de dólar, ainda que elas estejam disponíveis, em outros lugares e de forma gratuita. Quando você é jovem, tem mais tempo do que dinheiro.

Assim, baixar um torrent pode compensar um aborrecimento qualquer.

Mas conforme você vai envelhecendo, tem mais dinheiro do que tempo. E a taxa do iTunes vai ser um preço pequeno a pagar pela comodidade de somente adquirir o que você quer.

HTML5 busca o espaço perdido

Quando se trata de aplicações que rodam na internet, as pessoas estão começando a escolher a qualidade do serviço. Queremos um TweetDeck para organizar nossos feeds do Twitter porque é mais conveniente do que a página da Web no Twitter.

O Google Maps funciona melhor no celular dentro do carro do que no site do Google Maps no nosso laptop. E preferimos ler nossos livros com o Kindle ou iPad do que no navegador no PC de casa.

Mas a Web comercial não vai conquistar o seu espaço assim tão facilmente. Os defensores da web livre têm suas esperanças no HTML5 – a última versão do código de construção de websites que oferece flexibilidade applike – como um caminho aberto para satisfazer o desejo de qualidade de serviço.

Se um navegador da Web padrão pode atuar como um app, oferecendo um tipo de interface limpa e com uma interatividade transparente, talvez os usuários resistam à tendência ao pagamento de arquiteturas fechadas e proprietárias.

Mesmo assim o poder dos negócios baseados em plataformas fechadas são grandes e crescem cada vez mais. Isto é visto por muitos como uma batalha pela alma da fronteira digital.

Web colaborativa não vai acabar

Na verdade o que está em jogo não é bem um futuro sombrio para a Internet. É apenas o futuro do conteúdo comercial da economia digital. O comércio eletrônico vai continuar a prosperar na Web, e nenhuma empresa vai deixar de manter o seu site como uma fonte de informação.

Mais do que isto, a grande virtude da web, hoje, está justamente na sua proposta não-comercial. A Web centrada na colaboração, onde todos são livres para criar o que desejam, continua a prosperar, impulsionada pelos incentivos não monetários de expressão, atenção, reputação, e assim por diante.

Mas a noção de Web como o mercado final para a entrega digital continua em discussão.

A Internet é uma verdadeira revolução, tão importante quanto a eletricidade; mas o que fazemos com ela ainda está em evolução.

Assim como a internet se transferiu da mesa de trabalho para o seu bolso, a sua natureza também mudou. O caos do início foi bancado por gigantes empresariais que tatearam o seu caminho em um mundo novo.

Agora eles estão fazendo o que os empresários fazem melhor – encontrar pontos de estrangulamento. E pelo que parece estamos adorando.

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Paz

J Paz Filho - Sou jornalista, trabalho na produção de conteúdo editorial e na criação, desenvolvimento e manutenção de websites - incluindo e-commerce. Tenho especialização em design gráfico na Unisinos e já fui editor de mais de uma dezena de jornais e revistas especializados. Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato; ou por email.