Será que vale a pena trocar uma hospedagem brasileira por uma gringa?

O site fica mais rápido? Mais seguro?

Acompanhe o comparativo e como fazer essa migração.

Como o teste foi feito

Para este teste escolhi 3 hospedagens norte-americanas: A2, Cloudways e WP Engine, nos seus planos básicos de sites compartilhados.

Fiz a migração completa do Blog, banco de dados + arquivos do WordPress.

Foram avaliados o atendimento, recursos e preços.

No item recursos analisei principalmente a velocidade e a segurança, os mais importantes para quem deseja manter seu website entre as primeiras posições nas buscas do Google.

O tempo de avaliação foi de 2 meses para o WP Engine e A2 e 3 dias para o Cloudways, que é o período que você se pode testar o serviço antes de assinar um contrato, sem precisar usar nenhuma forma de pagamento antecipado.

Fique esperto: para o WPE e Cloudways é necessário um cartão de crédito internacional. Se você não tiver um, o A2 também aceita o PayULatam.

Pra quê mudar?

Meu Blog, por exemplo, está hospedado há 10 anos no mesmo servidor brasileiro. No início, era relativamente fácil resolver qualquer problema. Mas nos últimos anos o atendimento destes planos mais baratos tem piorado muito.

O servidor até entrega um custo/benefício razoável, mas irrita ter um site durante anos e não conseguir instalar um simples certificado SSL gratuito, que indica o endereço “https” como um site seguro e, assim, ser melhor ranqueado no Google.

Não estou pregando aqui que todos os serviços de fora são melhores. Apenas acho que a concorrência com os hosts gringos é sim uma forma de pressionar as empresas brasileiras a melhorarem os seus serviços.

Fique esperto: aos preços cobrados. Delete e valor do primeiro mês (quase sempre a metade) e preste atenção no valor “real” dos meses seguintes.


WP Engine

De cara, o que mais me chamou a atenção no WP Engine foi o atendimento. Os caras são especializados em WordPress e oferecem um serviço bem acima da média do mercado de hospedagem “tradicional”.

A filosofia deles é resolver o problema, em vez de tentar empurrá-lo de volta para o cliente.

Ok, isso tem um preço: o plano básico “Personal” do WPE chega aos 29 dólares mensais (92 reais), contra 10 dólares (32 reais) do plano Swift do A2.

Mas, além do atendimento, onde estaria esta diferença?

Mesmo o plano básico já vem com certificado SSL, e sistemas de cache (embutido) e de backup.

De ruim, a falta de contas de email e os valores extras cobrados por visitas excedentes ao acertado no plano contratado.

Talvez você estranhe o WPE não usar o CPanel, nem dar acesso a banco de dados. Mas acredite, isso pode facilitar muito. O foco fica direcionado apenas à construção e desenvolvimento do site.

Fique esperto: o WPE não tem um serviço de email próprio. Para isso, é preciso pagar por um serviço de email, ou usar um gratuito.

Atendimento >> chat / tickets

Antes de migrar para o WP Engine fiz uma pesquisa para conhecer os serviços da empresa.

E o item atendimento surgia nos fóruns de discussão como um problema.

Nada disso. O atendimento é muito bom. Absolutamente nada a ver com a ajuda capenga da maioria dos servidores nacionais.

O chat online funciona 24 horas. Fora isso, você pode escolher entre especialistas de migração, de banco de dados, de plugins e outros itens, que chegam a uns 10 no total.

O tempo de espera é mínimo, média de 1 minuto, ou menos, e as respostas são rápidas e quase sempre precisas, ainda que algumas vezes os atendentes ofereçam apenas links que levam a tutoriais da própria WP Engine. São tutoriais com um conteúdo técnico, mas acessível a maioria dos usuários. Bem diferente dos medonhos tutoriais de quase todos os hosts brasileiros.

Migração

É tranquilo transportar um site para o WP Engine. Basta instalar o plugin WP Engine Automated Migrations e preencher algumas poucas configurações. Algum ajuste, se precisar, eles resolvem pelo chat.

O tempo de transferência está ligado diretamente ao tamanho dos arquivos do seu website e da sua conexão. No meu caso, o banco de dados tinha perto de 1GB, e demorou 1 hora, mais ou menos.

Depois disso, site no ar, deu um erro de acesso, que foi imediatamente resolvido por seus técnicos.

Recursos

Além do atendimento, uma das melhores coisas do WPE são os recursos extras, já embutidos em todos os seus planos.

O principal deles é um sistema próprio de cache, que dispensa o uso de plugins de terceiros.

Outro, muito interessante, é um espaço paralelo ao website do cliente, que funciona como backup mas também, e principalmente, como um ambiente no qual você pode fazer modificações de layout ou testar a funcionalidade de algum plugin.

E, finalmente, o certificado SSL, que em muitos hosts é um tormento para ser instalado, no WPE esta ação é automática, basta acioná-lo em um menu.

Plano “Personal”

Migração “automática” gratuita.

Certificado SSL gratuito.

60 dias para testar e ser restituído do valor pago.

Limite de 25 mil visitas/mês para o valor do plano. Passando disso, é cobrado um extra a cada 1 mil visitas.

Prós

Atendimento via chat.

Recursos extras já embutidos no sistema.

Segurança.

Simplicidade.

> Não tem CPanel.

Contras

Preço.

Valor com limite de visitas.

Não tem serviço de e-mail.

> Não tem CPanel.

NOTAS

Atendimento: 10

Recursos: 9

Preço: 6

 

A2

O host gringo A2 tem aparecido na internet como uma boa opção às hospedagens mais antigas e tradicionais norte-americanas, como o Bluehost.

Espaço e preço é o que o A2 tem de melhor. Mas isso tem um custo: o atendimento é ruim.

Confera.

Atendimento >> chat / tickets

Mesmo para quem já tem um conhecimento médio ou até avançado em WordPress sente dificuldade em resolver alguns problemas. O chat está quase sempre fechado, quase tudo funciona com tickets. O problema é que, às vezes, os tickets são simplesmente ignorados. E esta foi a minha experiência com o A2; eles não responderam uma questão sobre a instalação de certificado SSL.

O que também me chamou a atenção foi o mesmo funcionário ter me atendido no chat da área de vendas e depois na área técnica.

Resumindo, o que o A2 entrega não se diferencia muito dos serviços de hospedagem brasileiros, especialmente no atendimento.

Migração

A transferência de um website para o A2 é feita através de uma solicitação por ticket. Você envia um pedido com logins e senhas do banco de dados e administração do WordPress e o pessoal do host faz a migração. No meu caso, demorou umas 2 horas, mais ou menos, para arquivos que totalizavam perto de 1GB.

Recursos

Se vocẽ conhece os hosts nacionais como o Hostgator/BR, Locaweb, UOL Host, Kinghost, não vai encontrar muitas diferenças no A2.

Tem um CPanel com acesso ao banco de dados, arquivos, emails, etc. Nada de mais.

Um ponto curioso é a publicidade do A2 anunciar um sistema que aumentaria a velocidade de abertura de páginas em 6 vezes. Não é bem assim.

Pela minha experiência, as páginas do Blog do Paz tiveram sim um aumento de velocidade, mas não passou de 20% na relação com a hospedagem brasileira. Sim, é verdade, os servidores estão instalados nos EUA, Ásia e Europa, mas, mesmo assim, deveria haver um aumento significativo na velocidade.

No mais, o site do A2 oferece dezenas de recursos que, na prática, não fazem muita diferença, especialmente para aqueles que procuram velocidade. Ou são difíceis de instalar.

Um exemplo é o certificado SSL. Tentei colocá-lo, juntamente com o serviço Cloudflare, mas, mesmo enviando um ticket, não obtive retorno.

Plano “Lite”

Migração gratuita.

Certificado SSL gratuito.

Tempo livre para testar e ser restituído do valor pago.

Sem limite de acessos (“).

 Prós

Preço.

Sem limitação de banco de dados, sites e armazenamento. (O número de visitas deve ter uma limitação sim, ainda que o A2 não informe. Mas, ao contrário do WP Engine, não é cobrado um valor extra).

Contras

Atendimento.

Área administrativa bastante confusa, com excesso de opções, que na maioria das vezes não alteram o comportamento do site.

NOTAS

Atendimento: 4

Recursos: 8

Preço: 8

 

Cloudways

Diferentemente do WP Engine e do A2, o Cloudways, como o nome já indica, é um serviço de hospedagem na nuvem, do tipo “pague o que for usar”.

A parte mais complicada é escolher um plano adequado para o seu site. Mas, depois de vencida esta etapa, a ideia de ser cobrado pelos recursos que vai gastar é bem interessante. Também é uma certa garantia de que o seu site vai aguentar o tranco, sem quedas, mesmo com picos de acessos.

Na inscrição, você deve optar por vários datacenters, como DigitalOcean (o mais barato), VULTR, Amazon, Google e Kyup.

Dentro da empresa escolhida existe ainda a opção da localização do servidor, da quantidade de RAM, do processador, da armazenagem e largura de banda, tudo divido entre 4 planos.

Como fiz apenas um teste de 3 dias, não consegui estabelecer uma avaliação para saber qual o plano indicado para um site com 100 mil visitas por mês, como exemplo.

Fiz uma cotação para este número de acessos. Um atendente do Chat respondeu que precisaria assinar um plano de 70 dólares (221,00 reais), mas outro afirmou que o plano de 17 dólares (54 reais) já seria o suficiente. Uma baita diferença!

Atendimento >> chat / tickets

Apesar da falha ao indicar o plano mais adequado, o serviço de chat do Cloudways funciona 24 horas e as respostas são rápidas, com um tempo de espera de 2 minutos, em média.

Migração

É feita através do plugin Cloudways Migrate/BlogVault, que precisa ser instalado no seu WordPress atual. A instalação é relativamente simples e vem acompanhada por um vídeo/tutorial que explica todo o processo.

Não chega a ser tão fácil como a migração do WP Engine, já que você precisa colocar algumas informações que estão na sua conta do Cloudways. Mas, depois de preenchidos todos os itens, tudo rola muito tranquilo.

O tempo de transferência varia de acordo com o tamanho dos arquivos e velocidade da sua conexão. Para um site com 1GB em arquivos, leva 1 hora e meia, mais ou menos.

Recursos

O Cloudways não utiliza o CPanel. A administração é dividida em duas áreas: do servidor e do App.

No menu “Servers” você monitora a quantidade de dados utilizada, e alguns outros itens que, na maioria das vezes, nem vai precisar usar.

No menu ” Apps”, no caso o WordPress, estão as informações da sua conta WP, acesso ao banco de dados, DNS, certificado SSL, backup.

O Cloudways também traz, embutido, o serviço de cache Varnish.

E, assim como o WP Engine, o Cloudways não fornece um serviço de emails, que pode ser contratado separadamente por 10 dólares.

Prós

Atendimento via chat.

Recursos extras já embutidos no sistema.

Segurança.

Simplicidade.

> Não tem CPanel.

Contras

Preço.

Valor com limite de visitas.

Não tem serviço de email.

> Não tem CPanel.

NOTAS

Atendimento: 8

Recursos: 9

Preço: 7

 

E o vencedor é…

São três propostas diferentes, com serviços e recursos ligados diretamente ao preço dos planos escolhidos.

O WP Engine é para quem não quer perder tempo com configurações complicadas ou quebrar cabeça procurando aquele erro que gerou a queda do site.

Fora isso, seu plano básico já entrega velocidade e segurança.

Mas, não tem como negar, o valor é alto, não tem serviço de email e cobra um extra pelo número de acessos excedentes ao plano contratado.

O A2 tem um preço bem interessante e boa lista de recursos.

O plano Swift promete espaço ilimitado, mas, na prática, deve existir algum limite de acessos.

Tudo muito bom, mas o atendimento é fraco e, como seus servidores mais próximos estão nos EUA, esta vantagem em relação aos hosts brasileiros fica, de certa forma, perdida.

O Cloudways é uma solução intermediária. Entrega os recursos essenciais de segurança e velocidade (como o WP Engine) por valores não muito altos.

O lado bom deste hosting é que ele promete entregar “potẽncia” máxima de recursos, mesmo que o seu site tenha picos de acessos.

Segurança e velocidade

Óbvio que dois meses de testes (3 dias com Cloudways) é insuficiente para avaliar a segurança.

No A2 nem consegui instalar o certificado SSL, já que não tive apoio da sua equipe técnica.

Mas deu tempo suficiente para avaliar os recursos e a velocidade.

Depois de alguns testes com o GTMetrix, considerando a página de abertura do Blog, para um usuário em São Paulo:

Rodando no WP Engine, cravou uma média de 4 segundos para a sua abertura total. No A2, 7 segundos e no Cloudways, 9 segundos.

Não foi uma medição muito precisa, admito, já que foi feita em horários e dias diferentes.

Considerando apenas a visualização em um smartphone com 4G e conexão banda larga, ficou evidente que o Blog do Paz hospedado no WP Engine foi mais rápido. Talvez pelo seu sistema de cache e recursos extras embutidos.

Comparação com hosts brasileiros

O grande problema da maioria das hospedagens nacionais está na cooperação para a solução dos problemas dos clientes. Apesar de que, como vimos aqui, alguns hosts gringos também não sejam diferentes no atendimento.

Se você estiver num plano de hospedagem mais barato e conseguir vencer algumas barreiras como a instalação do certificado SSL e integração com serviços de CDN, como o Cloudflare, até mesmo a velocidade do site fica semelhante aos serviços norte-americanos.

Surpreendentemente, o Blog, hospedado num host nacional tem a sua velocidade de abertura, nos mesmos parâmetros testados acima, em 5 segundos.

Para se chegar a este resultado é preciso instalar um plugin de cache bem configurado e um CDN como o Cloudflare.

 

COMPARATIVO HOSTS GRINGOS

  A2 Cloudways WP Engine
Atendimento Swift Digital Ocean Personal
Chat Não Sim/24 horas Si/24 horas
Precisão/ respostas Ruim Bom Muito bom
Tutoriais Regular Bom Muito bom
Ticket Sim Sim Sim
Migração Fácil Fácil Fácil
CPanel Sim Não Não
Cache integrado Não Sim Sim
SSL
gratuito
Sim Sim Sim
SSL
instalação
Complicado Fácil Fácil
Serviço
de email
Sim Não Não
Preço $10 (R$ 32) $17 (R$ 54) $29 (R$ 92)
Pagamento Cartão
Internacional
e PayULatam
Cartão
Internacional
Cartão
Internacional
Visitas/acesso Ilimitado (**) 2TB 25 mil/mês
Espaço Ilimitado (**) 30GB 10GB

(*) Acessos e espaço “Ilimitados” não existem. Mas, pelo menos, é uma certa garantia de que não vão tirar o seu site do ar.

J Paz Filho

J Paz Filho

Jornalista (PUC) /// Designer (Unisinos) /// Geek /// Produtor de conteúdo editorial ///Websites e e-commerce /// Editor de jornais e revistas
J Paz Filho