Afinal, o que é um tablet (ou um computador) sem o seu conteúdo? Apenas uma máquina com chips, botões e uma tela.

Mas parece que o governo brasileiro ainda não entendeu isso.

Em seu discurso hoje (terça, 20 de setembro) nas Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff lembrou mais uma vez do Plano Nacional de Banda Larga, pelo qual o governo pretende ampliar o acesso rápido à internet.

Também falou da importância da livre informação. Mas, prudentemente, omite o oligopólio das empresas de comunicação.

O ministro da ciência e tecnologia, Aloizio Mercadante, segue o mesmo caminho.

Prefere dar incentivos e isenções para a montagem de tablets no país, ajudado também pela guerra fiscal dos Estados.

E o conteúdo? Porque não dar incentivos à produção de conteúdo também?

Recentemente, não sei se vocês ainda lembram, o Ministério da Cultura autorizou a cantora Maria Bethania a captar, via Lei Rouanet, 1,3 milhão de reais para um Blog em que aparece declamando poesias

É lamentável.

Para o ensino, nada

Mas faltam políticas de incentivo ao conteúdo para a internet. Não existe nenhum planejamento a longo prazo.

Como fez a Coréia do Sul, passando de uma nação miserável para uma potência tecnológica em menos de 30 anos.

Mas não é só em aplicativos para iPad (ou Android) que as coisas vão mal. Veja este comparação:

Nos EUA existe um site, o Library of Congress, com milhares de fotos, impressos, vídeos e áudios da história norte-americana. Inclusive com seções só para crianças e/ou estudantes.

No Brasil temos a Fundação Biblioteca Nacional. É um site com muita informação boa, muitas delas surpreendentes, como os mapas e jornais antigos. Mas faltam livros, músicas, é uma podreza…

O site é confuso e para visualizar alguns arquivos é preciso baixar plugins desconhecidos. Ao tentar acessar os jornais do século XIX deu erro de página.

Não faltam – ótimos – profissionais

Mas então alguém desavisado poderia supor: não temos gente especializada para criar conteúdo (sites, Blogs, games, aplicativos).

Temos sim. Muita gente boa. Mas quase todas acabam em agências de publicidade criando hot sites e campanhas no Facebook.

Tudo muito certo, mas precisamos de profissionais se dedicando exclusivamente para o conteúdo educacional.

É nisso que o governo tem que investir. Não viram ainda?

É óbvio, burocracia e inovação não combinam. Tá explicado.

J Paz Filho

J Paz Filho

Jornalista, faço a produção de conteúdo e a criação de websites - incluindo e-commerce.///Especialização em design na Unisinos///Editor de jornais e revistas especializados.///Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato.
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