A empresa criadora do formato de áudio mp3, a alemã Fraunhofer-Gesellshaft informou esta semana que vai interromper a licença das patentes da tecnologia.

Na prática, ninguém vai deixar de ouvir as músicas armazenadas nos seus PCs ou antigos aparelhos tocadores de mp3.

Mas representa o fim de uma era, da forma de se ouvir música e da produção de novos aparelhos.

A “morte” do mp3 pode ser explicada pelo avanço do formato AAC, presente nos serviços de streaming de música, como o Spotify. O AAC tem maior qualidade, mais recursos de áudio e ocupa menos espaço.

Uma revolução

Sucessor das antigas “bolachas” de vinil, o mp3 atingiu seu auge na década de 1990 como um sistema revolucionário, muito mais pela facilidade de distribuição e compartilhamento –  via arquivos de computador – do que pela sua qualidade.

Antes, o consumidor precisava sair de casa, ir a uma loja de discos, dedilhar entre centenas de capas duras, entrar em uma cabine para conferir as faixas musicais , voltar para casa e torcer para que o disco não tivesse nenhum arranhão.

Indústria x usuários

O mp3 também representou um  rombo no faturamento  da poderosa indústria fonográfica mundial. Em poucos anos, bilhões de dólares deixaram de entrar no caixa destas empresas, que buscaram na justiça uma forma de barrar a troca ilegal de arquivos de áudio mp3, protegidos por direitos autorais.

O final desta história quase todo mundo sabe. Batalhas judiciais intermináveis e a ameaça do governo norte-americano em punir todos os usuários que baixassem arquivos não autorizados.

Terminada a batalha, a única empresa atingida foi a Napster, pioneira na distribuição de música através do compartilhamento de arquivos em rede P2P, criado em 1999.

Em 2001 a Napster foi obrigada a fechar, mas a troca de arquivos mp3 não terminava ali. Os usuários passaram a usar outros serviços, como o Kazza.

Apple entra no mercado

Neste mesmo ano, a Apple, percebendo o enorme potencial deste mercado, lançou um sistema matador: juntou um aparelho incrível, o iPod; um serviço de streaming com arquivos AAC; e a sua aposta mais certeira, a venda de faixas de músicas através da sua loja iTunes, por um preço acessível.

Os tempos da gravação de compact discs (CDs) caseiros ficavam para trás. Um ciclo que termina agora com o “fim” do mp3.

Mas que ninguém aposte no seu desaparecimento definitivo. Ele pode voltar, da mesma forma que o disco de vinil.

J Paz Filho

J Paz Filho

Jornalista, faço a produção de conteúdo e a criação de websites - incluindo e-commerce.///Especialização em design na Unisinos///Editor de jornais e revistas especializados.///Faça um orçamento enviando uma mensagem no contato.
J Paz Filho

Últimos posts por J Paz Filho (exibir todos)