Como jornalista, me incomoda quando alguém apresenta apenas um lado da história.

E isso novamente se repetiu depois da morte de Steve Jobs.

Todo mundo falando sobre a sua genialidade, como se nada existisse antes e depois dele.

Consulte sobre qualquer invenção e vai ver que ela quase nunca acontece pelas mãos (e cabeça) de uma pessoa apenas, mas pelo resultado do trabalho de muitos pesquisadores.

Assim, Steve Jobs e a Apple também têm o seu lado obscuro. Mais ainda: a Apple é uma empresa inovadora, mas não revolucionária.

Aliás, a Apple, antes do iPhone, era apenas uma empresa com um bom produto: o Macintosh, rival dos PCs.

A própria ideia dos dispositivos touchscreen foi desenvolvida fora da Apple. O criador do tablet foi o norte-americano Alan Kay, pesquisador da Xerox.

Personalidade egocêntrica

Jobs era um chefe autoritário e egocêntrico. Se algo não saísse como ele desejava, saía ofendendo seus funcionários com palavrões.

A sua obsessão por não revelar os segredos de novos produtos chegava a extremos. E isso incluia perseguição a funcionários e jornalistas.

Outra crítica (justa) feita sobre a atuação de Jobs como empresário era a de que ele não fazia doações, ao contrário do seu arquirrival Bill Gates. Isso apesar de já possuir um patrimônio de 7 bilhões de dólares.

Escravidão nas fábricas chinesas

O maior escândalo da história da Apple foi o uso de mão de obra infantil nas fábricas da Foxconn, sua parceira taiwanesa na China.

Fora isso, pesa sobre a Apple a contratação de uma empresa terceirizada que oferece baixíssimos salários e péssimas condições de trabalho.

Em 2011, duas explosões em fábricas da Foxconn mataram quatro pessoas e deixaram outras 77 feridas. Mais outras 16 cometeram suicídio.

Censura na Apple Store

Se você pensa em desenvolver um aplicativo para a Apple, saiba que ele pode ser rejeitado, sem qualquer explicação.

Tudo o que não estiver de acordo com o julgamento moral, político e econômico imposto pelas regras internas da empresa é simplesmente eliminado.

O próprio Steve Jobs já havia declarado: quero ver o iPad “livre de sacanagens”. (Será que nessa época ele já tinha conhecimento das “sacanagens” nas fábricas chinesas da Foxconn?).

Só que a Apple já chegou ao cúmulo de vetar os mamilos da Madonna em uma versão para iPad da revista de moda britânica Dazed & Confused.

Sem contar a negativa aos aplicativos como o Google Latitude e o Google Voice e livros sobre o Android, o sistema operacional que compete com o seu iOS.

Nós e mais ninguém

O que mais assusta os consumidores e as empresas é a forma com que a Apple muitas vezes tenta ditar as regras do mercado de dispositivos móveis.

Logo ela que no seu início ironizava o poder das “gigantes” Microsoft, IBM, Xerox.

Alguém poderá dizer: mas a Apple é uma empresa privada e não deve satisfação a ninguém. Não é bem assim. Outra grande empresa, a Microsoft, já enfrentrou (e perdeu) ações na qual pretendia dominar o mercado dos navegadores, com o Internet Explorer.

O lado do bem

Como falei no início, toda a informação pode ter mais do que uma verdade. E, obviamente, a Apple tem o seu lado positivo.

Ela tem destaque sim na história da evolução da tecnologia. Mais do que isto, mostrou às outras empresas sobre a importância do marketing e do design.

Seria bom que os concorrentes imitassem o que ela tem de melhor. E aprimorassem seus produtos e serviços, disponibilizando recursos não oferecidos pela Apple.

J Paz Filho

J Paz Filho

Jornalista (PUC) /// Designer (Unisinos) /// Geek /// Produtor de conteúdo editorial ///Websites e e-commerce /// Editor de jornais e revistas
J Paz Filho